segunda-feira, setembro 26, 2011

House Rules III - Porque ainda usamos valores para atributos?


Você mestre ou jogador já pensou sobre isso: Os valores de atributos e sua real necessidade? Quer dizer, até onde esses valores são necessários? Eles, basicamente, só oferecem bônus então porque não ficar com o valor do bônus direto e descartar de vez o valor do atributo?

Para o pessoal já experiente em jogos baseados no D20, a mecânica: "Atributo Gera Modificador" não é nada complicada. É até natural, por mais que você pegue uma ficha sem os modificadores escritos nela, os mais experientes sabem decorado quanto cada atributo representa em termos de modificador. 

Para os novatos as vezes é um tanto complicado entender o porque disso. Você tem 2 valores na ficha e 90% do tempo utiliza apenas o modificador. Então porque não descartar aquele valor do atributo e usar logo o do modificador? A ficha ficaria menor e não teríamos que aprender a calcular o valor do modificador baseado no atributo e as coisas seriam mais fáceis!

Mas será que seriam realmente mais fáceis? Estive pensando sobre isso esses dias e vou passar para vocês o que veio na minha cabeça tentando responder esta pergunta.


Existe alguma dificuldade em descartar os atributos?

Existem dificuldades na realidade. O sistema todo é baseado em atributos e qualquer mestre que se atreva a descartar os valores dos atributos vai ter um pouco de trabalho, algumas coisas precisam ser niveladas para que tudo funcione como antes e os jogadores provavelmente não gostarão deste nivelamento. Pensando nisso eu listei, até agora, mecânicas que precisariam ser levemente alteradas: Evolução dos atributos, Efeitos que fornecem bônus e Efeitos que reduzem os atributos.


Evolução

No D&D 3.5, Tormenta RPG, D&D 4E e Mutantes & Malfeitores a evolução dos atributos é através da compra de pontos. Nos 3 primeiros sistemas essas evolução tem custos diferentes dependendo do valor que você deseja para os atributos. Em Tormenta RPG e D&D 4E tem uma distribuição semelhante, basicamente para cada valor de 10 até 14 custa 1 ponto. 15 e 16 cada valor custa 2 pontos. 17 e 18, cada valor custa 3 pontos.
Para ajudar na compreensão vamos à um exemplo rápido: Eu tenho um guerreiro com força 14 e quero subir para 15, para fazer isso eu preciso pagar 2 pontos para subir de 14 para 15.

Deste modo para cada +1 no modificador, dependendo da faixa de valores em que o meu atributo esteja eu preciso pagar um custo entre 1 e 3 pontos para aumentar esse modificador. Outro exemplo rápido: Força 15 gera um modificador de +2, se eu quiser subir para 16, com isso o modificador subiria para +3, eu teria que pagar 2 pontos. Se eu quiser aumentar mais ainda esse valor do modificador (para +4) eu teria que pagar 3 pontos, visto o custo para subir uma característica 17 (+3) para 18 (+4.

E qual a grande dificuldade para esquecer os valores dos atributos nesta situação?

Se o mestre optar por prosseguir neste caminho os jogadores veriam uma evolução lenta nos modificadores, para não dizer mais cara! E isso pode não agradar.
Por exemplo (continuando com o Guerreiro), se o meu personagem tem Força 14, seu modificador é de +2. Para eu chegar a Força 16 (modificador +3), eu teria que passar pelo valor 15 (óbvio), sendo assim do 14 para o 15 gastaria 2 pontos, e do 15 para o 16 gastaria mais 2 pontos. No total 4 pontos.

Ou seja, os jogadores só alterariam os valores nos modificadores após 4 pontos. Aparentemente estariam gastando mais, mas no fim das contas estão pagando a mesma coisa.

No entanto no Mutantes & Malfeitores (M&M) qualquer evolução custa 1 ponto apenas. Deste modo o custo seria um pouco menor. No mesmo caso explicado acima, se eu tenho Força 14 e quero subir para 15, gasto 1 ponto. Se eu quero subir de 15 para 16, gasto mais um ponto. No total eu gastaria 2 pontos, ou seja aqui para cada +1 no modificador eu teria que gastar 2 pontos. Ainda assim seria uma evolução tardia na visão dos jogadores.

Uma possível solução seria nivelar por baixo os custos. Para cada modifcador até +2, o custo seria de 1 ponto. Para cada valor no modificador acima disso o custo seria de 2 pontos ou mais conforme o desejo do mestre. Veja que se deixar a relação de 1 para 1 nos modificadores, ficará bem desequilibrado em relação ao sistema anterior, pois no mínimo para cada +1 no modificador gasta-se 2 pontos e aqui estaríamos gastando 1 para +1 no modificador. Os personagens ficariam mais fortes mais rapidamente. Se é um problema ou não os jogadores e o mestre é quem decidiriam isso.


Efeitos que fornecem bônus

Aqui o problema seria semelhante. A magia Força dos Justos em Tormenta RPG fornece um bônus de Força +4. Um personagem com Força 14 iria para Força 18 e teria um aumento de +2 no atributo. Visto que o modificador para Força 14 é +2 e o da Força 18 é +4. 

Perceba que no caso do mestre optar por usar apenas os valores dos modificadores se ele manter esse bônus fornecido pela magia e desconsiderar o aumento no atributo, o modificador de força do meu personagem subiria de +2 para +6. O que seria equivalente a um personagem de Força 22 no mínimo.
Ele então, para continuar equivalente a situação anterior, teria que nivelar por baixo e a magia forneceria um bônus de +2 direto no modificador em vez de +4 no atributo. E isso para toda e qualquer magia que fornecesse algum tipo de bônus em características. 


Efeitos que reduzem os atributos

Apesar de parecer que o problema é o mesmo, teríamos uma situação inversa. Ao invés de nivelar por baixo, o mestre teria que "nivelar por cima" no caso da redução de atributos. Por exemplo o veneno de Bile de Dragão, em Tormenta RPG ele retira 3d6 do atributo Força do seu personagem. 

Aí temos duas situações possíveis. Se o seu personagem tem Força 14 (bônus +2) e milagrosamente rola um 3 nestes 3d6, a Força cai para 11 (não tem bônus). E perceba o seguinte, se este veneno retirasse apenas 2 pontos do atributo, ele já teria uma redução de + 1 no modificador, ou seja cairia de 14 para 12. Como a redução foi de 3 pontos no atributo ele teve uma redução maior, no total de +2 no modificador. 

Se o personagem tem Força 15 (com o modificador de +2) e milagrosamente tira 3 na rolagem dos 3d6, ele cai para 12 (com o modificador de +1). Ou seja, um personagem com um valor ímpar demora mais para sofrer uma redução nos modificadores dos atributos do que um personagem com valores par.
A grande dificuldade aqui é se os atributos são descartados, nem o mestre nem os jogadores tem mais esse tipo de controle. Tudo é modificador agora, e neste caso o veneno seria bem mais mortal. Se você tem um modifcador de +3 em Força e tem que rolar 3d6 para reduzir este valor, só com um milagre o seu personagem não seria prejudicado. Pois ele tem só 1 chance de rolar um 3 e ficar com o modificador zerado, qualquer número acima disso ele fica com o modificador negativo. 

Uma possível solução seria analisar o quanto os 3d6 reduzem de fato em média no valor dos modificadores e incluir uma tabela junto a jogada do dado. Por exemplo: digamos que em média a cada 3 no dado um personagem sofra -1 do atributo, deste modo a tabela ficaria bem parecida com a tabela abaixo.

Resultado da rolagem Redução no modificador
3 a 6 -1
7 a 10 -2
13 a 16 -3
17 e 18 -4


Outra solução seria trocar o 3d6 por 1d4, e reduzir direto no modificador. Bem mais simples. Só que esse tipo de alteração precisaria ser feita em toda rolagem de dado que envolvesse redução de atributos.


Conclusão

Como podem ver só utilizamos atributos ainda, porque se fossemos alterar isso teríamos que alterar uma série de fatores para que o sistema continuasse equilibrado. E, por incrível que pareça, estudos teriam que ser feitos para garantir o equilíbrio. 
Isso que eu mostrei aqui pode ser só a ponta do iceberg, outros fatores podem precisar de modificações e talvez as soluções que eu mostrei não sejam tão boas assim. 

Vale salientar que o único sistema que eu conheço que utiliza esse tipo de abordagem, modificadores ao invés de atributos, é o sistema de Mutantes & Malfeitores 3ª edição. Se você mestre quiser se aventurar e mudar isso no seu sistema derivado do D20, aconselho que dê uma estudada no M&M 3E pode ser que encontre todas as soluções necessárias por esse tipo de mudança lá.

Mas o mais importante é: Qual a real vantagem desse tipo de modificação?

Eu sinceramente não tenho uma resposta para essa pergunta. Apenas constatei pelo que andei vendo essa semana a respeito deste assunto que seria um grande trabalho fazer esse tipo de modificação, mas não sei dizer se isso realmente seria necessário. Talvez deixasse tudo mais simples, mas não sei dizer até onde seria mais simples.

E você o que acha sobre esse tema? Acha necessário esse tipo de modificação? Acha que as mudanças que sugeri proporcionariam equilíbrio? Conte-me tudo que você pensa a respeito nos comentários.

4 comentários:

Daniel disse...

Ótimo texto, Moisa. Os atributos são importantes, tanto pelos motivos que você falou (lembremos também dos ganhos com o avanço de nível; ficaria muito over se ganhássemos já os modificadores), quanto por valores comparativos - afinal, é uma medida tradicional, reconhecida e paupável de comparar quem é mais forte que quem.

Em tempo: AD&D, e Old Dragon, também usa o atributo inteiro para testes. Você joga o d20 e compara com o atributo, se tirar menor, passou. =)

Bob Mota disse...

Obrigado pelo elogio. Pois é faltou falar sobre isso também, ele é bem mais paupável para comparações que o modificador.
Agora isso de AD&D eu não sabia, comecei com D&D 3.5, e dessa forma fica algo bem mais interessante. E difícil, eu acho.
Mas aí não existe cd de teste como no 3.5? A cd é o valor do dado? É isso?

Danielfo disse...

Isso é porcausa das gambiarras que fazem quando mudam de um edição para outra. Em M&M, no manual do Malfeitor, ele já sugere acabar com aquilo e comprar os bônus direto.

Bob Mota disse...

Mas Danielfo, tu sabe dizer se alguma desvantagem que eu citei dessa abordagem está presente? Como eles resolveram isso?

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